Redação nota 840 sobre A elitização do acesso aos meios artísticos e culturais no Brasil 840
Texto da redação
Na obra televisionada “Cine Hollywood “ é exposto ao público a busca pelo acesso ao cinema em uma cidade sertaneja nordestina, na qual se via tal forma de lazer como divergente perante sua realidade. Infelizmente, tal conjuntura não se resume às telas, uma vez que o Brasil hodierno é vítima da elitização dos meios artísticos-culturais. Essa caracterização se pontua como forma de dominação das massas marginalizadas ao não permitirem o acesso a esses bens. Dessa forma, dois intensificadores dessa problemática são formação histórica nacional, assim como a estruturação educacional.
Em primeiro momento, vale salientar como o processo colonizador foi baseado na subjugação dos colonizados. Historicamente, a chegada da família real portuguesa em 1808 – vinda em fuga de Portugal por medo de Napoleão Bonaparte – significou a expansão das expressões artísticas no cenário da literatura com a construção da Real Biblioteca, atual Biblioteca Nacional do Brasil, assim como no teatro ao transportar companhias em seus navios. Contudo, tais constituições não se pontuaram como democráticas para a população, visto que estes possuíam em seus imaginários a ideia de indignidade, intensificada pela elite, para vislumbrar essas atrações. Por conseguinte, esse pensamento elitista se fragmenta atualmente, já que herança colonial perpetuo a falsa premissa de que a cultura legítima é apenas a europeia e erudita. Sob essa lógica excludente, ações que degradam as manifestações culturais de resistência periféricas são constantes, como na marginalização do rap e do grafite. Desse modo, percebe-se como os meios de produção de arte são utilizados para realizarem protesto contra as desigualdades morais e sociais, em um país que só enxerga arte quando produzida pela alta sociedade. Assim, medidas que invertam esse quadro são urgentes.
Outrossim, as instituições escolares falham na coletivização do acesso aos bens culturais no país. Conforme o filósofo e educador Paulo Freire, a educação e a arte são indissociáveis e complementares, assim como a educação, a arte é o caminho para oprimido se reconhecer no mundo, analisar sua realidade e lutar por mudança no conjunto social. Em decorrência dessa análise, a estruturação da base curricular, muitas vezes, causa a inércia do pensamento crítico e artístico das crianças e jovens, através da incapacitação dos profissionais os quais lecionam nessa área de conhecimento, gerando assim o desinteresse dos alunos por produzirem ou aprofundarem-se. Conjuntamente com essa percepção, a priorização de matérias para exames externos, possibilita a desvalorização da inteligência artística dos discentes ao não darem oportunidade para que eles possam se expressar. Logo, ações que transformem as escolas em locais de possibilidade para a arte são necessárias.
Portanto, infere-se que providências mitigadoras da privatização cultura no Brasil são fundamentais. Cabe ao Ministério da Cultura –órgão responsável pela promoção de cultura no país¬– em parceria com as instituições escolares estabelecerem campanhas de incentivo à produção e o conhecimento artístico, por meio de oficinas mensais ministradas por profissionais capacitados e a fomentação de sarais culturais para a exposição dessas produções. Essa ação visa o estabelecimento de cidadãos que enxerguem a arte como possibilidade no cotidiano. Paralelamente, o Governo Federal deve incentivar a produção e o acesso criativo, mediante plataformas digitais que democratizem o acesso a esses bens, assim como a exposição de criações em espaços públicos. Tais deliberações pretendem a popularização das demonstrações criativas e culturais em todo o território.